Siga no Twitter

Riverton Mussi, prefeito de Macaé, repudia emenda Ibsen Pinheiro

Riverton Mussi, prefeito de Macaé, repudia emenda Ibsen PinheiroUm ato público marcado para às 16 horas da próxima quinta-feira (4) em todos os dez municípios da Organização dos Municípios Produtores de Petróleo (Ompetro) vai marcar o repúdio da entidade contra a chamada “emenda Ibsen”. Proposta pelo deputado federal Ibsen Pinheiro (PMDB-RS), a emenda ao projeto de lei que trata da partilha do pré-sal prevê que os royalties dos campos de petróleo sejam distribuídos pelos 27 estados da federação e os 5.561 municípios brasileiros.

O prefeito Riverton Mussi criticou a emenda do deputado durante reunião extraordinária da Ompetro, promovida em Campos, nesta quinta-feira (25) porque a proposta retira de estados e municípios produtores a maior parte da receita dos royalties, tanto no pós-sal quanto no pré-sal. Ou seja: se aprovada, terá reflexo na arrecadação de 90 dos 92 municípios do Estado do Rio, com ênfase nos municípios produtores, nos próximos meses.

Pela proposta do deputado, o Rio de Janeiro será o mais prejudicado, perdendo R$ 6 bilhões por ano. No caso de Macaé, a arrecadação de royalties, que em 2009 foi de R$ 345 milhões no acumulado, cairia para apenas R$ 1,5 milhão. “Teríamos que parar com os investimentos, as obras, os projetos e fazer corte em todos os setores. Os royalties representam hoje 40% do orçamento, então perderíamos praticamente 40% de toda a receita, o que compromete o atendimento à população”, externou o prefeito.

O prefeito Riverton, a prefeita de Campos e presidente da Ompetro, Rosinha Matheus (PMDB), o prefeito de Quissamã, Armando Carneiro (PSC), o vice de Rio das Ostras, Wilton de Moraes, representantes do poder Executivo dos demais municípios da Ompetro, o deputado federal Geraldo Pudim (PR-RJ), os presidentes da Associação Comercial e Industrial de Macaé (Acim), Francisco Agostinho, da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) em Macaé, Francisco Navega, os vereadores Carlos Emir Júnior, Luiz Fernando Borba e Chico Machado, representantes de outras entidades e instituições da cidade e de outros municípios da Ompetro discutiram por cerca de três horas e meia as medidas cabíveis para tentar barrar a emenda na Câmara dos Deputados.

“O governador Sérgio Cabral está empenhado nesta questão e estamos juntos para tentar impedir a emenda. Nossa preocupação é que somados, Rio de Janeiro e Espírito Santo possuem 56 deputados federais na Câmara, grupo que pode ter mais alguns deputados de São Paulo que vão votar contra a emenda, o que é minoria perante todo o resto da bancada”; disse.

A preocupação é que a votação da emenda, prevista para 10 de março, seja aprovada na Câmara. De lá, segue para o Senado, onde também deve ser aprovada porque o somatório de parlamentares de todo o restante do país é bem maior do que dos estados produtores. Indo para o presidente Lula (PT), a emenda pode ser vetada, retornando para a Câmara. Facilmente, a Câmara pode derrubar o veto do presidente e a emenda é colocada em prática, prejudicando a arrecadação dos produtores ainda neste semestre.

Pela proposta de Ibsen Pinheiro, o montante vai, em partes iguais, para dois fundos, um dos estados e Distrito Federal, outro dos municípios, aplicando-se ao primeiro os critérios do Fundo de Participação dos Estados (FPE) para a distribuição interna, e ao segundo os do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) para o mesmo efeito.

“O problema é sério, é de todos, a Ompetro já fez todos os esforços e agora precisamos da participação da sociedade e nossa última instância é a Justiça”; afirmou Riverton, citando que em Macaé, os royalties custeiam obras de grande impacto nos bairros, como a macrodrenagem, e parte da demanda social que representa o ônus do petróleo.

A presidente da Ompetro lembrou que uma das medidas da entidade foi impetrar um mandado de segurança, por meio do deputado federal Geraldo Pudim, no Supremo Tribunal Federal, tentando impugnar a discussão na Câmara da emenda Ibsen. “A ministra Ellen Gracie não julgou o mérito, que vai para o plenário do Supremo”, pontuou Rosinha. O deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) também já entrou com um mandado de segurança no STF para impedir a votação da proposta.

Prefeitos questionam violação à Constituição

O argumento do prefeito de Macaé e dos demais prefeitos produtores é a inconstitucionalidade do projeto, além do impacto social, ambiental e de infraestrutura que o petróleo causa e os royaties ajudam a minimizar. “Nenhum município quer ter os problemas sociais, de habitação e de serviços que Macaé tem em função do arranjo do petróleo. Mas os royalties os municípios que não sofrem o impacto que sofremos, querem”, questionou Riverton.

Os prefeitos da Ompetro também voltaram a criticar que o Estado do Rio de Janeiro já foi prejudicado outras vezes, como nas regras referentes ao Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). Ao contrário de outros produtos, que têm o imposto cobrado na origem, o petróleo gera ICMS nos estados consumidores, de acordo com a Constituição de 88.

“Noventa dos 92 municípios do Rio vão virar uma Serra Pelada, a economia vai desabar, será um desemprego em massa”; disparou Rosinha. O prefeito de Quissamã, Armando Carneiro, engrossou o coro e classificou a proposta de Ibsen como “demagogia em ano eleitoral”. “A Constituição diz que os royalties são uma indenização e eles estão tratando como se fosse tributo”, observou.

O artigo 20, parágrafo primeiro da Constituição Federal afirma que os municípios produtores de petróleo, assim como os estados, têm direito a participação no resultado da exploração do petróleo. “Portanto, estender participação no resultado da exploração de petróleo a municípios e estados não produtores é inconstitucional”, pontuou o jurista Humberto Soares, que trabalha na causa junto à Ompetro.

Se aprovada e com veto do presidente derrubado, a emenda Ibsen Pinheiro só pode ser barrada com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADIN). Somente podem ingressar com uma ADIN o presidente da República, a mesa da Câmara, a mesa do Senado, a OAB, um partido político, um governador, uma assembléia legislativa estadual ou um procurador da República.

Foto: Robson Maia

Assuntos: , , ,

Leia Também

Enviar por Email!    Modo de Impressão Modo de Impressão

Os comentários estão fechados.