Estudantes de Arraial do Cabo produzem filme
Estudantes do Colégio Estadual Almirante Tamandaré usaram a mágica do cinema para retratar o cotidiano das comunidades carentes.
O filme Trilha do Destino foi produzido e dirigido pelo aluno Sandro Rosa Ferreira e estrelado pelos colegas do 3º ano do Ensino Médio noturno.
“ela primeira vez, fiz um filme e fiquei aliviado quando vi que estava pronto. O orgulho foi ainda maior, porque nossa turma era considerada a mais bagunceira do colégio. Não quero mais parar”;diz Sandro.
Ele conta que seu despertar para a sétima arte veio com o curta Maré Baixa, apresentado na unidade escolar pela pedagoga Luíza Maria Leal Mendes. A obra foi filmada por pescadores da localidade, pessoas simples que também não tinham experiência em cinema.
“ou coordenadora do departamento de projetos da Secretaria municipal de Educação aqui de São Pedro e fui convidada para exibir o resultado desse trabalho, que faz parte da Oficina de Cinema Ambiental. A ideia é mostrar que esses jovens são capazes de escrever roteiros e traduzi-los em imagens. Tenho certeza de que deixei uma semente nessa parceria entre estado e município”; plicou Luíza.
Atenta à movimentação, a professora Mariléia Soares do Santos percebeu que a vida daqueles jovens poderia se transformar em história e organizou a turma para colocar em prática o que eles tinham de melhor: a imaginação.
“ivemos o apoio do Núcleo de Tecnologia Educacional (NTE) na edição do filme. Partindo dessa experiência bem sucedida, a proposta é que, no final do ano, todas as turmas façam um curta-metragem”.
No escurinho do cinema
Na última sexta-feira, Trilha do Destino foi exibido para um grupo de alunos de outras séries. Os olhares curiosos acompanhavam a trajetória de um rapaz sem perspectivas de emprego ou estudos, que vê nas drogas a alternativa para se livrar da depressão.
O cenário usado foi um clube localizado a poucos metros do colégio. No local, Sandro e os colegas montaram um verdadeiro baile funk, criando um clima bem próximo ao dos finais de semana de grande parte dos jovens, não só de São Pedro da Aldeia, mas de diferentes comunidades do Rio.
Para estimular a reflexão sobre o perigo dos entorpecentes, Sandro preparou um final padrão, com o assassinato do rapaz, mas também filmou outro desfecho, em que ele se recusa a entrar nas drogas e decide seguir um novo caminho.
Na plateia, Gilberto Costa, aluno do Colégio Estadual Nobu Yamagata, vibrou com o filme de Sandro. Ele foi um dos responsáveis pela operação de som do Maré Baixa.
“ostei muito do que eu vi. Antes, eu não tinha noção do que ia fazer na faculdade, mas agora eu sei que é o curso de Cinema”.
Pensando na profissionalização
O jovem, de 16 anos, já está na fila para participar do Oficine-se e multiplicar as informações para mais cinco escolas. O projeto acontece em parceria entre a Secretaria de Estado de Educação e o Ponto Cine - com apoio do Centro Técnico Audiovisual (CVTAv) e da Universidade Estácio de Sá - e estimula a criação de cineclubes escolares, principalmente nos municípios onde não existem salas de exibição.
Segundo a diretora-adjunta, Tatiana Jotha, as produções passam a fazem parte do projeto Curta na Escola: descobrindo o mundo pela linguagem cinematográfica. Com recursos enviados pela Secretaria de Educação, serão comprados equipamentos de filmagem e fotografia e criada uma ilha de edição.
“No primeiro momento, não tínhamos embasamento teórico. A partir de agora, nossos professores vão conhecer melhor esse universo para passar para os alunos. O objetivo é dizer que esses meninos têm capacidade de manipular roteiros e que podem ter uma visão mais crítica do que assistem e leem”.
A unidade também vai colocar em prática outros dois projetos. O primeiro, na área de Língua Portuguesa, com a criação de uma rádio, que vai funcionar na hora do recreio, e de um jornal digital, em que os alunos vão socializar os trabalhos em um blog, com a supervisão dos professores. A outra ação será voltada para a Matemática e professores poderão trabalhar os conteúdos, por meio de jogos, em uma sala decorada pelos alunos.
O Colégio Estadual Almirante Tamandaré atende 650 alunos, em três turnos, do 6º ano do Ensino Fundamental ao 3º ano do Ensino Médio regular.
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