Divulgada pesquisa sobre morador de rua de Cabo Frio
A Secretaria Municipal de Assistência Social de Cabo Frio divulgou dados de uma pesquisa que foi realizada a partir de um relatório de atendimento preparado pelas assistentes sociais do município.
A pesquisa mostrou que o morador de rua de Cabo Frio tem um novo perfil: o indivíduo do sexo masculino; da faixa etária entre 22 a 30 anos; oriundo de outros municípios; ocupante de emprego informal e dependente químico, principalmente pelo uso do crack.
“Ao longo da existência do CAMOR, Centro de Atendimento ao Morador de Rua, notamos a mudança no perfil do morador de rua, ou seja, se antes era comum encontrarmos o mendigo tradicional, vítima de doença mental ou de alcoolismo e com idade mais avançada. Hoje, vemos jovens que poderiam estar no mercado de trabalho e que não reconhecem a dependência em relação às drogas, achando que podem parar a qualquer momento”; explicou a diretora do Departamento de Proteção Social Especial, Rosana Moreira.
“De acordo com esse relatório, a Secretaria de Assistência Social de Cabo Frio atendeu um total de 708 pessoas, sendo 49 mulheres. A maior concentração dos usuários do CAMOR é de cor parda, numa proporção semelhante à observada em todo o país, segundo um trabalho do Ministério do Desenvolvimento Social. Deste total, apenas sete concluíram o ensino superior e a maioria não completou o ensino fundamental.
Ainda segundo Rosana Monteiro, a figura do morador de rua, mais conhecido como mendigo, era uma pessoa que vivia de esmolas, geralmente nordestino, fugindo da pobreza e buscando oportunidades de trabalho. Mas, sem qualificação e sem condições de voltar à terra natal, acabava na rua, tornando-se alcoólatra.
“Agora sabemos que o grupo é muito heterogêneo e, se há os que buscam emprego, encontramos muitos que tiveram um rompimento do vínculo familiar ou afetivo e passaram a abusar das drogas e do álcool. São, na verdade, os representantes do protótipo da exclusão social e precisam de ajuda. Daí a importância do CAMOR”; explicou a diretora.
A instituição tem capacidade para 19 internos, possui uma oficina de reciclagem, atendimento médico, psicológico e de assistência social e funciona como uma casa de passagem com o objetivo de acolher as pessoas em situação de rua em Cabo Frio, sendo a única do gênero em toda a Região dos Lagos. Funciona 24 horas por dia e realiza rondas diárias pela cidade para recolher os moradores de rua com o apoio da Guarda Municipal e da Polícia Militar.
‘O usuário não é forçado a nos acompanhar, pois o CAMOR não é asilo, nem cárcere privado e pode ficar ali por até dois dias. O morador de rua atende ao pedido se quiser, mas costuma aceitar porque sabe que terá os cuidados necessários como banho quente, refeições na hora certa, cama limpa e também atendimento médico e psicológico - explicou a coordenadora de Alta Complexidade da Secretaria”; Janaina Garcia.
De acordo com a Coordenadora, muitos moradores que se recusam a ser ajudados são chamados de trecheiros, ou andarilhos, que têm na cidade apenas como ponto de permanência por alguns dias ou poucas semanas, sabendo que Cabo Frio tem uma instituição que poderá ajudá-lo para depois continuar seu caminho.
“A Assistência Social de Alta Complexidade procurar fazer a reinserção familiar ou criar novos vínculos, e até mesmo procurar ajuda no grupo de Narcóticos Anônimos. Mas não se pode obrigar ninguém a ficar se não for da sua vontade”; concluiu Janaina Garcia.
Ainda segundo o estudo, os motivos que levam esses homens a saírem de casa, são: o uso de drogas; problemas mentais; infidelidade conjugal e o desemprego. A maioria não possui qualificação nem referência profissionais e acabam atuando na informalidade como lavadores de carros, catadores de latas e vigias, principalmente na época da alta estação.
O maior número de recolhimento ocorre no período de abril a agosto, quando os pequenos trabalhos diminuem, com exceção de julho, época das férias escolares, quando o município volta a ter movimentação turística.
O CAMOR funciona na Rua Vitória, esquina com a Rua Belo Horizonte, Palmeiras, e recebe pedidos para recolhimento de moradores de rua através do telefone 2645-6837.




