Historiadora de Iguaba Grande participa de Festival Internacional

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Irmães CongasA historiadora e museóloga, Nilma Teixeira embarcou hoje à Paris, na França, para concorrer com o documentário “Ibiri: tua boca fala por nós” no Festival do Filme de Pesquisa 2009.

Pesquisadores de várias partes do mundo participam do festival. Com o tema “Escravidão: memória, heranças e formas contemporâneas”, o festival está em sua segunda edição e se desenvolverá em datas e lugares significativos da memória da escravidão atlântica. O festival se interessa por filmes relativos tanto ao passado da escravidão quanto às suas formas de ressurgência contemporâneas.

Ontem, Nilma Teixeira recebeu a notícia que o seu documentário havia sido o mais votado pelo público presente, durante uma exibição de todos os vídeos inscritos, em Paris. No dia 16 de maio, haverá a votação do júri técnico para escolher o melhor documentário de pesquisa. Até novembro deste ano, serão realizadas outras seis apresentações em diferentes países. A última apresentação dos filmes participantes do festival acontecerá em novembro, na cidade do Rio de Janeiro.

Documentário relata o sofrimento das “irmãs Congas”

 

O documentário “Ibiri: tua boca fala por nós” retrata a história de seis irmãs descendentes de escravos e moradoras de Iguaba Grande. A luta por um pedaço de terra marca a trajetória das irmãs Georgina, Hermanda, Sigislete, Hilda, Maria e Luíza Conceição da Silva, que seguem a vida de acordo com tradições herdadas de seus antecedentes escravizados no Congo do século XIX.

Elas abasteciam a cidade com o resultado da sua lavoura até serem expulsas de forma violenta da terra que possuíam.

Após passarem algum tempo escondidas nas matas da região conseguiram um pedacinho da terra que hoje é a base de sustento da família. Caminham 12 quilômetros para venderem colorau, ovos e limão. As irmãs se fecharam em seu pequeno mundo e mantém apenas o sonho de casarem. São “moças” como gostam de informar.

De acordo com Nilma Teixeira, a falta de comunicação foi a primeira dificuldade encontrada para a produção do documentário. Conhecidas na cidade como as “irmãs congas”, elas se comunicam através de um dialeto próprio. Foram quatro dias de gravação. O primeiro contato não foi muito amistoso. As irmãs se assustaram com os equipamentos de filmagem, e Nilma teve que explicar a função de cada elemento para elas se acalmarem. As gravações foram realizadas, principalmente, na casa das irmãs. Os depoimentos de conhecidos e pessoas que as ajudaram foram gravados em outras locações, como o sítio onde tem a casa de Farinha, local onde elas faziam o alimento que vendiam na época.

O vídeo é um documentário e utilizou elementos da ficção para ilustrar cenas que aconteceram quando as irmãs eram um pouco mais novas. A jovem Vitória Cristina Toledo Nunes, de sete anos, representou Nilma. A menina aparecerá em uma cena que retrata o dia em que a diretora do documentário viu as irmãs pela primeira vez. A gravação do vídeo chamou a atenção dos moradores da cidade. A injustiça que aconteceu com as irmãs no passado revolta muitas pessoas ainda hoje.

Exibição em Iguaba Grande

O documentário “Ibiri: tua boca fala por nós” será exibido para a população de Iguaba Grande no dia 23 de maio, às 19h, na Praça da Estação, bairro Estação. O filme também participará em junho do Festival Etnográfico do Recife.

Fotos: Nilma Teixeira.

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1 Resultado

  1. vanildatavares disse:

    QUANDO FIQUEI SABENDO já tinha acontecido a apresentação do filme.
    Eu desejo que vcs tenham muito exito no filme
    , eu não assisti mas espero que seja acessive para toda a comunidede local .
    Parabéns!