Política: Iguaba. A bruxa está solta, prendam a bruxa

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Caubi Rezende

De repente, não mais que de repente, quando tudo parecia voo em céu de brigadeiro, eis que, não na calada, mas, na barulheira da noite, em uma sessão da Câmara Municipal, poucos dias após a sexta-feira 13 de agosto, a bruxa soltou seu grito maléfico estremecendo teto e alicerce do, até então, vazio prédio do legislativo iguabense.

Venham senhores, estou trazendo CPI, comissões processantes, etc,, etc, Não percam, venham rápido. A partir daí, todas as terças e quintas o plenário do legislativo em Iguaba está lotado, após as 19 horas, já que, em 24/08/2010, houve a instauração de uma Comissão de Investigação Processante (CIP) e de uma CPI tendo como alvo o governo Oscar Magalhães, e, por conseguinte, todo o ti ti ti que situações como essas provocam e que, através da mídia, extrapolam as fronteiras do município. A cada sessão novos fatos surgem com mais ou menos repercussão, mas sempre a casa cheia.

O último, e inusitado, fato surgiu na sessão realizada no dia nove de setembro, quando o ex-prefeito Hugo Canellas, convidado pelos edis Vantoil, Edésio Canellas e Alexandre, subiu à tribuna para, em atendimento ao expediente, falar sobre os recursos estaduais para o município.

Em função do clima, a explanação enveredou para a necessidade de governabilidade do prefeito Oscar, com vistas ao recebimento de verbas estaduais de mais de 20 milhões de reais – programadas pelo estado que poderiam não vir em função da insegurança das CPI e CIP, quando foi recomendado, por Hugo aos vereadores, sensatez e prudência no transcurso das ações que se apresentavam. Os vereadores Balliester e Fábio Florença, em apartes, exerceram o direito de exigir o cumprimento da pauta, no sentido das explicações resumirem-se apenas aos projetos e verbas, o que acabou não acontecendo, e o ex-prefeito fez longa análise do quadro atual e da impropriedade do mesmo. Alegou que, como assessor do vice-governador, fora por ele advertido várias vezes para que intercedesse com vistas a conter o impasse a ser resolvido o mais rápido possível. Hugo disse que até precisava levar para uma reunião no dia seguinte, no Rio, uma gravação da sessão daquela noite para comprovar o fato das boas intenções, e que os municípios de São Pedro, Araruama e Cabo Frio estavam já com recursos destinados e Iguaba aguardava devido o impasse.

O ex-prefeito afirmou que, além dos contatos (óbvios)com os três vereadores que o convidaram, estava mantendo contato com os vereadores Sassarico e Ciambarella e, também, com a equipe do atual prefeito, com vistas a apreensão do governo estadual e o futuro da destinação das verbas.

O clima na sessão foi tenso com participantes do plenário manifestando-se, o que fez o ex-prefeito questionar ao presidente, vereador Edmundo Silveira, se o regimento permitia tal fato, já que, em sua época de vereador em São Pedro, isso não era possível.

Até conclusões futuras, hoje as especulações sobre a ida do ex-prefeito à Câmara são muitas. Vão desde insinuações de um possível estreitamento de relações políticas com o governo Oscar, via deputado Paulo Mello, até busca da liderança perdida na eleição passadas, através da ação de conselheiro e ponderador e, finalmente, à especulação de que estaria simplesmente desenvolvendo uma atuação de funcionário do governo estadual, assessor do vice-governador e nada mais.

Aos que procuram fundamentações maiores, aparece o fato da ida do ex-prefeito à Câmara ser relacionada à constituição da nova presidência da casa e da mesa diretora, que deverão ser eleitas neste mês de setembro para o biênio 2011/2012. Teria sido um jogo armado para separar publicamente o joio do trigo, mostrando, através de embates ocorridos, quem é parte da banda podre e quem não é – termo muito usado atualmente em política, só ultrapassado nesta época de eleições pelo chamado ficha suja.

O resultado das investigações da Câmara, o porque da visita do ex-prefeito Hugo ao legislativo e a constituição do novo grupo dirigente da casa poderão estar relacionados entre si ou não. Como na política vale a dança e a contra dança, aguardemos o fim do baile. Até lá, que toque a música. Torço para que o ritmo da festa seja suave. Detesto funk. Por via das dívidas já comprei uma caixinha de algodão. Um chumaço em cada ouvido, na hora da barulheira não faz mal a ninguém. Música, maestro. Música, maestro? É, é isso mesmo, maestro Rodolfo Pedrosa que dia 14/09 cinco dias após a ida de Hugo Canellas a tribuna da Câmara, ocupou o seu lugar e em nome da governabilidade anunciou a sua adesão ao governo Oscar Magalhães na condição nada mais nada menos de Secretário de Governo. Pela voz de Edmundo Silveira finalizando a sessão foi dito que será êle Rodolfo a pedra fundamental do governo Oscar. A primeira música a ser tocada no baile vai ser sem dúvida aquela que dizia: você é meu amorzinho, você é meu amorzão, você é o tijolinho que faltava na minha construção.

Caubi Rezende é empresário do ramo hoteleiro e diretor de Turismo da
Associação Comercial de Iguaba Grande

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