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Iguaba Grande – O que está acontecendo com o Turismo?

De repente a surpresa, ou melhor, a decepção. O hotel Bela Iguaba, tradicional estabelecimento da cidade, fechou suas portas e é vendido para ser a sede da prefeitura municipal, após reforma que não se concretiza, tornando-se um esqueleto com ares de assombração em área nobre, em frente à praia.

Em função do assombrado e, para nosso assombro, logo em seguida outro hotel, o Solar de de Iguaba, é desativado e lá instala-se o governo municipal. Dois hotéis fechados para uma só prefeitura.

Como não existe uma sem duas, nem duas sem três; bem ao lado do esqueleto do Bela Iguaba o antigo hotel Costa do Sol, todo reformado, apresentava-se imponente e, dizem, até já com funcionários contratados, aguardava sua inauguração. Quando esperava-se o convite para o fato, eis que, torna-se ele a Câmara Municipal. O convite então recebido foi para a instalação dos nobres edis no ex-futuro templo do turismo que forneceria, no município, mais vinte e tantos leitos à listagem da Embratur.

Depois das investidas imobiliárias do executivo e do legislativo - e como o judiciário ainda não se manifestou sobre sua possível mudança, os classificados e “O Globo” e as placas de “Vende-se” anunciam mais pousadas à venda. É só consultar.

E por que tudo isso? Por que tantos investiram acreditando no potencial turístico do município e, quando menos se espera, o baque? Todo mundo querendo cair fora, tirar o seu da reta, diminuir o prejuízo? Simplesmente porque não houve por aqui, de fato, a chamada política do turismo sustentável.

Muito se fala sobre isso e nada foi feito e, parece, que não será feito tão cedo, porque não se faz isso da noite para o dia. A “galinha dos ovos de ouro” era a a lagoa com suas águas azuis e areia clara. Parecia que não acabaria nunca, mas, acontece que não se vive só de água e água demais causa afogamento. E afogar em água não muito limpa é pior ainda. Achava-se também que bastavam a água azul, o sol e os “showzinhos” de terceira categoria para que a cidade estivesse a dois passos do paraíso, com hotéis, restaurantes e o comércio em geral lotados. Não deu pé, a fonte secou!

Turismo não é só contar com dádivas da natureza.

Mesmo as tendo, é preciso que exista a marca turística, que é o termo técnico usado, Se não se usar marca turística, pode-se usar o termo “Identidade Turística”; dá no mesmo. Marca ou identidade, o importante é ter uma característica forte e conhecida, como têm Conservatória (seresta), Barretos (festa de peões boiadeiros) e tantos outros municípios que se fizeram notados por isso e por aquilo e se tornaram polos turísticos.

Nesses locais, autoridades e municípios vitoriosos na empreitada do turismo, investiram, acreditaram, mobilizaram recursos e incentivos, persistiram e, principalmente, caminharam lado a lado com a mídia, com a qualificação de pessoas não deixando a peteca cair.

Iguaba, que tem como principal fonte de renda da população o emprego na prefeitura e na câmara, sem industrias e com o movimento comercial fraco, para sobreviver precisa de sua marca turística, podendo mesmo aproveitar o mote das velas, em função da lagoa, ou o da terceira idade, ou de qualquer outro que venha a ter, desde que o tenha.

O turismo bem aplicado, desenvolvido, gera riqueza, gera progresso, desde que tenha, além da marca, o aval da população, dos técnicos, da mídia e, principalmente, dos políticos locais que, canalizando o potencial da classe para projetos que alicercem a economia local, ficariam descompromissados de salvar investidores, pegos pelo pé, através da compra e de aluguéis de imóveis, desesperados ao concluírem que investiram mais do que deviam no município que pensavam ser turístico e que não tem sido.

Caubi Resende é empresário do ramo hoteleiro e diretor de Turismo da
Associação Comercial de Iguaba Grande

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