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Fragmentos de um Carnaval

Caubi Resende

Vidas que se juntam,
Para depois separadas ficarem,
Quando o último bloco passar.
Rostos e corpos magros, delgados, morenos,
Manchados de confetes, dissolvidos no suor,
Diluídos no desencontro do encontro de três dias só.

Bem, tudo acabou, o último clarim tocou,
O mascarado tirou a máscara, guardou no bolso,
Secando a fronte com os dedos murmurou:
O sol já vem, vou embora, e você?
Também vou, respondeu, jogando ao vento a flor dos cabelos.
Vai para onde? Não digo, não posso…
E você, pode dizer para onde vai?
Poderia, se tivesse o onde. Não tenho.
Que pena! Se soubesse seu onde, talvez um dia…
Não se preocupe, não sei nem se há o dia.
Vê, o sol está nascendo, não está escuro mais.
É, e o por do sol nosso dia é agora.
É mesmo, é agora, às cinco da manhã.
Vamos nessa? É, vamos nessa.
Você vai para a esquerda, eu vou pra direita,
Assim, ao menos, seguiremos na mesma rua,
Um para cada lado, sem olhar para trás.
Não olho, juro, nem você. Tá, nem eu.
Então, um, dois, três, já: - Espera!
Espera o quê? - Pega essa tira de serpentina,
Rasga no meio. Um pedaço sou eu pra você…
Ah, então essa outra parte é você pra mim?
Se você acha assim, assim será.
E agora, em que você esta pensando?
Eu? Não digo, não só penso. E você? Não penso.
Olha esse relógio, já passa das cinco da manhã.
Nossa noite chegou, boa noite.
Boa noite, ou bom dia?
Nossa noite chegou, boa noite.
Boa noite, apesar do quase sol da manhã,
De mais uma quarta-feira qualquer,
Que pelo azul que desponta, nem de cinzas será.
Um beijo? O que? Um beijo.
Meu Deus, o tempo, o relógio, a vida…
Adeus.

Caubi Resende é empresário do ramo hoteleiro e diretor de Turismo da
Associação Comercial de Iguaba Grande

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