“Faz escuro mas eu canto”
Tirei o fim de semana para ler crônicas e artigos que - nesses dez anos - tenho escrito para jornais de Iguaba Grande.
São várias pastas, cheias de publicações de “O Arrastão de Iguaba”, da “Gazeta dos Lagos” - em sua primeira fase, do “Marola”, do “O Escudeiro” e de jornalecos - no sentido carinhoso, não depreciativo - de associações, AMI, AMACIM, ACIAMIG, etc. Uma verdadeira sopa de letrinhas e de nomes que, somados, dão um bom caldo informativo; não resta dúvida.
No momento, meu palco de escriba é o jornal O Popular da Costa do Sol e site bigpop.com.br. Estou progredindo, este, pelo menos, tem no nome um apelo regional. Depois de dez anos já era hora…
Após tantos anos de imprensa, eu me pergunto: até quando? Até quando? Como todo articulista é meio poeta, eu respondo: até o último suspiro. Mas, sobre o que tanto escrevi em jornais em uma década? Entre suspiros, alegrias, decepções e sustos, constatei que vou vivendo e escrevendo só - ou quase sempre - sobre a cidade que vi nascer do 2º Distrito de São Pedro da Aldeia(como Iguaba era conhecida antes da emancipação), revelando suas angústias, suas expectativas, suas carências de recursos, sua fraca economia, seu povo relativamente tranquilo, seus políticos com suas verdades e suas mentiras, no início das campanhas eleitorais e nas gestões governamentais.
Observei, lendo, que, após o namoro - que dura um ano ou dois de governo com o “povo unido, jamais será vencido” -, a visão da cidade não vislumbra o desenvolvimento e qualidade de vida anunciados em comícios. Vem a decepção, a cítica feroz e a sátira por parte da população, que tem seus reflexos estampados nos jornais pelas mãos e cabeças que neles escrevem. Então, surge do povo, da imprensa, o desejo da vinda de novas eleições. Vem a esperança de um novo nome com refrão forte, tipo “agora vamos”. Vamos coisa nenhuma. Temos ido para o mesmo lugar, e para pior, as vezes. Isso é o que conclui-se lendo o que eu e meus colegas de jornais escrevemos nesses dez anos.
Registre-se também, em períodos eleitorais, o troca-troca de vereadores e de eternos candidatos ao cargo - nunca eleitos -, que a cada eleição aderem ao prefeito empossado, no jogo da sustentação governamental, e pessoal - muita das vezes. Tudo isso a imprensa registrou detalhadamente com charges de pesca das traíras.
Passado já o primeiro ano da última eleição de prefeito no município, o quadro não evoluiu e críticas já começam no ritmo do roda mundo, roda pião, tudo girando novamente. Reclamações de falta de obra aqui, falta de calçamento ali, Saúde doente, escola sem Educação, etc. Porém, de algo muito importante ninguém fala, nem quase falaram nesses dez anos passados: Desenvolvimento econômico sustentável, que deveria ser a expressão de ordem da vez, com vistas ao crescimento da economia e a melhoria financeira da população, com o aumento do mercado de trabalho. Gerar riqueza tem que ser a meta do município. Infraestrutura vem a reboque, onde há uma vem a outra.
Em um artigo por mim escrito há oito anos, eu dizia que Iguaba não poderia viver só de “água, sal e sol”; precisava de novas fontes. De fato, o turismo praiano por aqui está no fim e - nada foi feito para incentiva-lo -, não há turismo, há que deslanchar nova forma de economia. A palavra de ordem é o desenvolvimento econômico já, na política de Iguaba.
Vou abrir mais pastas de arquivos publicados, daqui a dez anos para conferir se aconteceu. Enquanto isso, vou lendo versos de Thiago de Mello no livro “Faz escuro mas eu canto” que, traduzindo-se a linguagem dele, quer dizer: a coisa tá ruim, mas eu acredito que pode melhorar…
Ao mesmo tempo sigo ouvindo no gramofone, que ganhei da vovó, um sucesso da década de 50, em disco de 78rpm, que chama “Assim se passaram dez anos”, mas vou lembrando Iguaba: “sacode a poeira e dá volta por cima”, é uma música um mais atual, que dez anos, vamos nessa!




