Escrevendo Certo por Linhas Tortas
Caubi Resende
Empresário do ramo hoteleiro e diretor de Turismo da Associação Comercial de Iguaba Grande
Nesse domingo, quando escrevia para O Popular da Costa do Sol, dois eventos aconteciam - em Iguaba Grande - diretamente ligados ao turismo. O primeiro de natação, a “Travessia Agita Verão”, promovido pela prefeitura, e o segundo, uma cavalgada promovida por um fazendeiro local, da área de Sapiatiba, sem participação alguma da prefeitura, nem apoio, e que encheu, desde ontem, a minha pousada, e confesso que, relacionados ao evento da natação, não obtive nenhuma consulta para reserva, como não recebi de outros eventos da mesma natureza, aqui realizados, já que os participantes de provas aquáticas permanecem na cidade, no máximo, por três horas dirigindo-se em seguida para seus municípios de origem ou outros vizinhos daqui. Não se utilizam de hotéis, nem restaurantes ou de qualquer outro comércio local.
Entra janeiro, sai janeiro, as provas de natação se sucedem e nada é feito para essa falha, qual seja, propiciar a permanência maior dos participantes na cidade, gerando renda para o turismo. Já se falou em esticar a atividade por dois dias, com provas em um, premiação no outro, etc. Não dou palpite porque não entendo do assunto - mal sei nadar na beirinha da praia -, mas, como hoteleiro, sei que alguma coisa a respeito merece ser feita.
Na contra mão da travessia, no mesmo horário, sem flâmulas e bandeiras tremulando nos postes, sem uma notícia nos jornais, comunicação boca a boca, talvez, um fazendeiro local consegue realizar um evento bonito, lotando hotéis (pelo menos o meu) promovendo em caráter particular uma cavalgada que, vista pelas fotos que tirei, enriquecem qualquer calendário municipal de turismo. A saída de cavalos, charretes, cavaleiros, em fila, acompanhada ao longe por automóveis dirigindo-se para passeio na zona rural do município, sem auxílio de um único guarda municipal, diga-se, sob o comando único do fazendeiro organizador, foi algo surpreendente.
Menos de quinhentos metros separavam um evento do outro. Ambos, pelo número de automóveis nas cercanias, demonstravam o interesse que despertavam, mas falando-se em resultados direto para o turismo local, a cavalgada deu de dez. Há um ditado que diz quando a coisa não deu certo “que deu com os burros n’água”. Desta vez acho que pode-se dizer que deu com as águas no burro (ou cavalo).
E, já que falamos em provérbios, podemos lembrar que o vento aquático, com todo o planejamento, apoio e qualidade excelente dos promotores, com vistas ao turismo escreveu errado em linhas certas e a cavalgada, com todo o seu primarismo, escreveu certo em linhas erradas.
Como o que vale é o resultado final, nesse domingo de semana, para o turismo a cavalgada valeu. Quanto as provas aquáticas, já são tradição no nosso município. Falta só um pouquinho de ajuste para o pessoal do turismo abraça-la de vez. Que Alá nos ajude. Amém…
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