“A política é como nuvem. Cada hora está de um jeito”
“A política é como nuvem. Cada hora está de um jeito”
Magalhães Pinto)
Caubi Resende
Apesar de atribuírem a frase, título desta coluna, a Tancredo Neves, soube outro dia, através do Noblat, em “O Globo”, que seu criador foi Magalhães Pinto, ex-governador de Minas Gerais, que sempre a empregava quando os fatos mudavam no dia a dia da política.
Citei, dias atrás, a célere frase quando, em uma rodinha de amigos, conversávamos sobre a emancipação de Iguaba e a eleição do primeiro prefeito local. Pessoas que aqui não moravam em 1996, ou que eram ainda adolescentes na época, surpreenderam-se quando contei que na campanha eleitoral daquele ano, Rodolfo Pedrosa, então prefeito de São Pedro da Aldeia, lançou e apoiou com todo afinco Oscar Magalhães para se nosso primeiro prefeito. Assinou ponto em todos os comícios e praticamente coordenou a campanha dele. Não obtiveram êxito, e Huguinho, o ex-vereador de São Pedro da Aldeia, líder do movimento emancipacionista foi eleito.
Incrível, disseram alguns no grupo. Oscar, que fora apresentado na eleição de 2008 como candidato na nova era, sem vícios políticos, etc., não era 0 Km em política local, então? E Huguinho, que o venceu na época, com todo apoio que ele teve de Rodolfo, foram agora, ambos, ultrapassados por ele na urna? É, disse eu, coisas das tais nuvens, que cada hora estão de um jeito, coisas da política.
Pulando de nuvem em nuvem, se possível isso, no desenrolar da conversa, dois fatos importantes foram questionados: Quando e por que a nuvem do mau tempo pairou sobre nossa cidade de 1996 para cá, e qual a previsão do tempo para o futuro político e, por conseguinte, administrativo, destinado ao nosso município?
De conversa em conversa, concluí que a opinião quase generalizada é a de que a pequena Iguaba Grande, aos trancos e barrancos, com empurrão da iniciativa privada acelerando as construções e o comércio, e sob a égide de um turismo rudimentar, se não cresceu, pelo menos espichou, já que crescer, no sentido do desenvolvimento, implica atuação eficaz da administração pública que, por aqui, foi falha desde os primeiros tempos.
A administração pública dotou a cidade de uma infraestrutura mínima, salvo em educação, conduzida sem nenhum planejamento, com um plano diretor existente apenas no papel. Com raras exceções, em algumas atuações, os prefeitos fizeram - e faz -, o que bem entenderam - e entende -; asfaltando tais e tais ruas, passando máquinas aqui e acolá, fazendo maricultura aqui, tirando maricultura daqui, levando para lá, extinguindo a maricultura; instalando sede da prefeitura em um local, encaminhando a sede para outro destino, remanejando-a, afinal, para acolá.
Muitas das ações realizadas, são citadas como eleitoreiras que atendem grupos ou pessoas ligadas ao esquema político dos dirigentes. Resultado: reclamações de dinheiro público indo para o ralo, processos na justiça, encaminhamentos ao Ministério Público, etc. etc. e o município prejudicado. Como sempre há contentes e descontentes entre a população e os que não se sentem prestigiados, com fel na boca aguardam a eleição vindoura para a vingança. De vingança em vingança, nunca Iguaba conseguiu re-eleger um prefeito, e aí mesmo é que a coisa estanca, porquanto o que assume despreza o que foi programado pelo anterior e começa tudo novamente, a roda viva.
Expectativas futuras? Não me parecem boas, tendo em vista o momento atual de aniversário, que é época de presentes. Mas temos que ouvir - e aceitar -, seguindo o ditado de que a voz do povo é a voz de Deus. O grupo achou que há possibilidade de um ex-prefeito voltar ao cargo, seguindo o processo pingue-pongue, cada quatro anos um, salvo se o atual mandatário, como um anjo Gabriel protetor conseguir abrir suas enormes asas sobre a cidade, como a águia da Portela as abre no sambódromo, no carnaval, e dota-la de obras de grande porte, fazendo a mudança que prometeu em campanha. Aí, há chance de re-eleger-se ou fazer seu sucessor. Se isso não acontecer - e a tendência é a coisa ir continuando como sempre -, resta só a população colocar em uma caixinha as letras H e R, balançar e ir testando a sorte até 2012; isso se não surgir um outro anjo, novo, até agora não anunciado, sentadinho em uma nuvem, contando com o sopro forte da população, que o conduza para as urnas nas próxima eleição.
Eu, sabido que sou, continuo aguardando o milagre da mudança, com minha caixa de letrinhas em uma das mãos e a oração do santo anjo da anunciação na outra. É, sinto que, por um milagre, agora, o futuro de Iguaba pode estar em minhas mãos.
Caubi Resende é empresário do ramo hoteleiro e diretor de Turismo da
Associação Comercial de Iguaba Grande




